No meio dos tiroteios e bombardeamentos implacáveis e indiscriminados que aterrorizam o povo de Gaza, o Estado de Israel gerou a fome, tornando Gaza aquilo que as Nações Unidas chamaram de “o lugar mais faminto da Terra”, onde “a fome bate a todas as portas”. Pelo menos 113 pessoas morreram de fome, número que só aumentará nas próximas semanas se o regime sionista, apoiado pelo imperialismo dos EUA, mantiver o bloqueio total da Faixa.
Os trabalhadores, com o apoio e facilitação dos sindicatos, devem unir-se para discutir como podem agir, incluindo a recusa em manusear todos os bens e serviços israelitas e os produtos de quaisquer empresas cúmplices no genocídio.
Começaram manifestações contra a guerra a nível internacional, muitas das quais se fundirão com a luta contra o genocídio contínuo em Gaza, e podem também inspirar-se no movimento “Mulher, Vida, Liberdade”.
A declaração de quatro prisioneiras políticas — Reyhaneh Ansari, Sakineh Parvaneh, Verisheh Moradi, Golrokh Iraee — contrabandeada para fora da notória prisão de Evin, inspirará os protestos. Diz assim:
“A nossa libertação, a libertação do povo do Irão da ditadura governante, só é possível através da luta massiva e pelo recurso às forças sociais — e não por colocar as nossas esperanças em potências estrangeiras. Estas potências — movidas pela exploração, colonialismo, belicismo e assassinato em massa — trouxeram sempre devastação a esta região. E para nós, não trarão senão novas formas de destruição e colonialismo moderno.”
Mas o que era, afinal, a Política Militar Proletária? A capitulação em França revelou a incapacidade dos Estados-nação capitalistas de garantir o que os trabalhadores necessitavam: proteção contra invasões, ocupações e repressão fascista. Os capitalistas temem armas nas mãos da classe trabalhadora! Os revolucionários deveriam denunciar esta realidade e exigir o armamento da classe trabalhadora enquanto classe. Opondo-se tanto à guerra imperialista como ao pacifismo, a Quarta Internacional resistiu às pressões para declarar uma ‘trégua de classe’ durante a guerra.
A máxima marxista de que nenhuma nação pode ser livre se oprimir outras nações deve valer na luta revolucionária contra o militarismo e a guerra que caracterizam esta fase avançada do capitalismo. A classe trabalhadora dos países imperialistas deve erguer-se contra as intenções bélicas das suas burguesias locais e, lutando pela sua própria emancipação, associar-se às lutas nacionais dos povos oprimidos: contra a espoliação dos recursos naturais da Ucrânia, contra o genocídio do povo palestiniano, contra todas as tentativas de subjugar a vontade dos povos à ganância parasitária da burguesia.
Enquanto os mercados bolsistas afundam e – se não resistirmos com protestos e greves em massa – os padrões de vida caem a pique nesta crise, a classe trabalhadora e os pobres em todo o mundo não podem apoiar nenhum dos lados desta guerra comercial desastrosa. Ela é um produto do capitalismo e das suas crises, e nenhuma solução pode vir dos capitalistas.
Precisamos de defender a solidariedade internacional dos trabalhadores e oprimidos, contra o nacionalismo das diversas classes dominantes, e lutar com ações de massas e greves contra os patrões famintos de lucro, contra o seu sistema e contra o protecionismo pró-capitalista.
O movimento internacional de massas contra o genocídio deve recomeçar e intensificar-se agora. As ruas precisam de ser inundadas. Os campus universitários devem ser encerrados e transformados novamente em bastiões de resistência. Mas, mais crucialmente, a classe trabalhadora organizada — essa força que não só pode protestar contra a guerra, mas travá-la — deve agir de forma decisiva.
Por mais que possam ignorar milhões a marchar, até os políticos mais belicistas não podem ignorar os portos, as redes de transporte, os bancos, as fábricas de armamento e as cadeias de abastecimento a paralisarem-se. Nos últimos 18 meses, vimos vislumbres deste poder — desde estivadores a recusarem-se a manusear carga israelita até trabalhadores do setor dos transportes a bloquearem carregamentos de armas em vários países.
Os últimos três anos demonstraram da forma mais brutal que confiar numa ou noutra força imperialista para garantir a existência de uma Ucrânia independente é um erro fatal. Embora, para seu próprio interesse, o imperialismo ocidental estivesse preparado para ajudar a Ucrânia durante um período, quer ver uma compensação pela ajuda no fim da guerra.
E agora a Ucrânia está a ver as suas esperanças de independência total não só atacadas pelo regime reacionário russo, mas também esmagadas pelo imperialismo americano. A Ucrânia junta-se a uma longa lista de países cuja democracia e/ou independência foram traídas pelo imperialismo ocidental - Chile, Iraque, Iémen, Panamá, Palestina, Curdistão - a lista é longa.
A força e a agência para vencer esta mudança virão das massas palestinianas. Estas podem ligar a sua luta pela libertação nacional e social aos seus aliados naturais, a classe trabalhadora nesta região e a nível global – uma força verdadeiramente poderosa, se organizada.
Os massacres em curso em Gaza, os contínuos ataques mortíferos na Cisjordânia ocupada e o historial obscuro do regime israelita em matéria de “honrar” cessar-fogos devem servir de aviso amargo ao movimento internacional de solidariedade com Gaza para que não se desmobilize, mas redobre os nossos esforços para aprofundar e alargar a luta nas nossas comunidades, locais de trabalho e universidades. Isto deve implicar a organização de protestos, boicotes, ocupações e greves que visem todas as empresas e instituições que têm sido cúmplices deste genocídio e da ocupação da Palestina.
A resistência contra este genocídio tem de visar as suas raízes fundamentais. Isto significa travar uma luta política intransigente não só contra o colonialismo e o racismo do Estado israelita, mas também contra o sistema capitalista e imperialista que os sustenta. Esta luta deve ser acompanhada pela construção de organizações socialistas independentes capazes de organizar a classe trabalhadora e todos os oprimidos em torno desta agenda. Deve traçar um rumo que se afaste das capitulações de partidos pró-capitalistas corruptos como a Fatah, mas também de forças islamistas de direita como o Hamas e o Hezbollah. Embora, nas condições atuais, estas forças tenham um apoio significativo, os socialistas têm de abordar as causas profundas da opressão nacional sem sucumbir a métodos políticos reacionários que, em última análise, servem para consolidar as relações de poder existentes.