Como é possível esta derrota eleitoral da esquerda parlamentar, que acresce à do ano anterior, no país que na última década era apontado como exemplo para a esquerda reformista? E como é possível que, no país onde a extrema-direita apenas elegeu o seu primeiro deputado em 2019, esta força política seja já a segunda mais importante no parlamento?
A 18 de Maio, votaremos à Esquerda. Sabemos que a classe trabalhadora não deve deixar o caminho aberto à direita e à extrema-direita, que a atacarão duramente, mas sabemos também que estas eleições não prometem nada de bom para juventude e os trabalhadores.
– Artigo do jornal número 7 (Janeiro /Fevereiro de 2025) do coletivo Luta pelo Socialismo, à venda na manifestação “Não nos encostem à parede!” de 11 de Janeiro em Lisboa – A intervenção policial vergonhosa contra os trabalhadores da Rua do Benformoso, em Lisboa, é uma consequência direta da normalização do discurso de ódio xenófobo ...
– Editorial do jornal número 6 (Setembro/Outubro de 2024) do coletivo Luta pelo Socialismo –
Vitórias que realmente melhorem as condições de vida da maioria da população e o futuro da juventude só serão possíveis se as organizações da classe trabalhadora confrontarem o próprio sistema capitalista: se se puser em causa o direito de propriedade dos fundos imobiliários em favor da habitação pública, se se confrontar a mercantilização da saúde e educação que está a destruir os serviços públicos, se se puser a planificação florestal à frente do mercado e das indústrias de celulose, se se atacar a especulação financeira em favor da nacionalização da banca e da planificação da economia ao serviço das necessidades sociais e ambientais!
- Texto do panfleto a distribuir na manifestação "Casa para viver" de 28 de Setembro de 2024 em Lisboa -
O movimento pela habitação e o movimento laboral devem unir-se e, através de assembleias de trabalhadores e moradores, organizar ocupações e greves intersetoriais com um plano: temos de nos organizar e lutar para ganhar!
Para levar a classe trabalhadora ao poder, um partido revolucionário tem a aprender com a Revolução portuguesa, entre outras coisas, a importância de defender as liberdades democráticas, avançar a luta socialista pelo controlo social da produção e organizar o poder proletário para a tomada de poder político.
A oposição à UE é possível por uma força internacionalmente coordenada da classe trabalhadora, organizada nas ruas, bairros, fábricas, escolas e locais de trabalho, focada nas preocupações concretas da população trabalhadora e englobando as lutas feministas, antirracistas, queer, antiguerra e ambientalistas, que reconheça que fazer frente às crises económica, social e ambiental exige romper com as regras da UE e com o sistema capitalista e que proponha uma planificação democrática à escala europeia, uma Europa de estados socialistas, parte de um mundo socialista.
Privada das ferramentas habituais (controlo do Estado e das forças armadas e sabotagem económica) para travar a revolução, a burguesia foi salva pela política dos dirigentes dos partidos de massas de trabalhadores: PS e PCP. Isso tornou-se evidente na crise revolucionária que se desenrolou durante o resto de 1975, em particular no chamado Verão Quente de 1975. Nesse período o poder foi mais contestado que nunca, com o Estado cada vez mais dividido e incapaz de agir com determinação. Os trabalhadores também estavam divididos quanto à tomada do poder político, sem uma direção que os levasse a concluir sobre essa necessidade.
A classe trabalhadora continuou a avançar na conquista do poder económico. Em Dezembro de 1974, no Alentejo e no Ribatejo, regiões onde dominava o grande latifúndio, os proprietários começaram a fechar os campos aos trabalhadores, para impedir a sementeira e trazer a fome, de forma a sabotar a revolução. Em resposta, o proletariado rural ocupou as terras para controlo dos empregos, dos salários e da produção agrícola, pondo em marcha a Reforma Agrária, ou seja, o início da concretização da reivindicação “A terra a quem a trabalha”, e aumentando a produção.