A 21 de agosto de 1940, o agente estalinista Ramón Mercader assassinou Leon Trotsky. Trotsky, Lenine e a direção bolchevique gastaram tempo e preciosos recursos do nascente Estado operário para fundar a Internacional Comunista em 1919 e Trotsky opôs-se à política de Stalin do “Socialismo num só país” – que falsamente exaltava a derrota e o isolamento como vitória, em benefício da casta burocrática que se ergueu no poder, banqueteando-se sobre o cadáver da revolução mundial.
Frantz Fanon escrevia com convicção. As suas afirmações eram ousadas, categóricas e desafiadoras. A sua voz continua a soar clara hoje, seja em protesto contra o racismo ou em apoio aos povos que lutam pela liberdade.
Uma Palestina livre — o fim da ocupação, das leis do apartheid, das colónias de povoamento e da supremacia racial, e o reconhecimento do direito de regresso dos refugiados palestinianos à sua terra natal histórica.
Para além de apoiar firmemente estas reivindicações, argumentamos que elas são incompatíveis com a existência de um Estado sionista colonizador de povoamento; esse Estado tem de ser derrubado e desmantelado. As questões que se colocam são: será isso possível, dadas as actuais correlações de forças? Quem tem o poder de enfrentar um Estado tão militarizado e os seus aliados imperialistas? E, se for possível, que tipo de solução poderá garantir uma libertação genuína e uma paz duradoura para todos?
Por mais exigente que seja, elaborar uma solução viável e uma estratégia e tácticas para a concretizar pode trazer a esperança necessária para a causa palestiniana. Aqui, oferecemos as linhas gerais de uma perspetiva marxista sobre estas questões, como contributo para este movimento vital.
Mas o que era, afinal, a Política Militar Proletária? A capitulação em França revelou a incapacidade dos Estados-nação capitalistas de garantir o que os trabalhadores necessitavam: proteção contra invasões, ocupações e repressão fascista. Os capitalistas temem armas nas mãos da classe trabalhadora! Os revolucionários deveriam denunciar esta realidade e exigir o armamento da classe trabalhadora enquanto classe. Opondo-se tanto à guerra imperialista como ao pacifismo, a Quarta Internacional resistiu às pressões para declarar uma ‘trégua de classe’ durante a guerra.
Nas próximas semanas, o PIMR (Projeto para uma Internacional Marxista Revolucionária) publicará uma série de artigos sobre a história do movimento revolucionário após a vitória da Revolução Russa, abrangendo a formação da Quarta Internacional e a sua degeneração após a Segunda Guerra Mundial, até à nossa história recente.
Este artigo bastante invulgar é publicado como um contributo para o processo de clarificação da forma como nós, enquanto organização revolucionária marxista, feminista e antirracista em processo de reflexão e reconstrução, compreendemos e nos orientamos no mundo atual.
A resistência contra este genocídio tem de visar as suas raízes fundamentais. Isto significa travar uma luta política intransigente não só contra o colonialismo e o racismo do Estado israelita, mas também contra o sistema capitalista e imperialista que os sustenta. Esta luta deve ser acompanhada pela construção de organizações socialistas independentes capazes de organizar a classe trabalhadora e todos os oprimidos em torno desta agenda. Deve traçar um rumo que se afaste das capitulações de partidos pró-capitalistas corruptos como a Fatah, mas também de forças islamistas de direita como o Hamas e o Hezbollah. Embora, nas condições atuais, estas forças tenham um apoio significativo, os socialistas têm de abordar as causas profundas da opressão nacional sem sucumbir a métodos políticos reacionários que, em última análise, servem para consolidar as relações de poder existentes.
Nós apoiamo-nos nas tradições da direção do RCP e, num novo período de conflito e crise mundial, voltamos a utilizar os seus métodos de debate político democrático e de organização firme da luta militante para reconstruir o movimento operário.
Muitos factores económicos, políticos e sociais surgem e interagem entre si. Em qualquer momento, é fundamental avaliar e adaptar as perspectivas traçadas, pois são elas que orientam a ação revolucionária. Isto é ainda mais verdade no contexto de um acontecimento tão poderoso como uma guerra mundial. Pode ocorrer uma evolução fundamentalmente diferente da prevista, e agarrarmo-nos a perspectivas ultrapassadas é um erro pelo qual há sempre um preço elevado a pagar. Infelizmente, foi o que aconteceu com a Quarta Internacional.
As lutas de massas irromperão inevitavelmente na China no próximo período, mas também serão muito complicadas – cheias de todo o tipo de ilusões e confusões. Não tememos essas complicações, mas precisamos entendê-las e nos preparar.