Tudo o que os capitalistas e os seus governos têm para oferecer são soluções baseadas no mercado, o mesmo sistema que nos conduziu à situação atual. Não existe capitalismo verde. De acordo com o paradigma da maximização do lucro, enquanto a transição energética não for suficientemente atrativa para os grandes grupos económicos multinacionais, o capitalismo continuará a queimar combustíveis fósseis. Mas não temos tempo para esperar pelo mercado!
– Texto preparado para os panfletos para a manifestação "Nós fazemos o futuro" de 1 de Junho e para a marcha "Unidas contra o colapso" de 8 de Junho, ambas em Lisboa –
O reforço do movimento exige a expansão da luta aos locais de trabalho. Nos últimos meses, trabalhadores de transportes e médicos em Espanha, Bélgica, Itália e muitas outras regiões lideraram greves e recusaram-se a enviar remessas militares para Israel. Também em Portugal precisamos de construir um movimento dos trabalhadores que apoie as ocupações e se junte à luta contra o massacre.
A geração mais jovem tem mostrado um espírito de luta implacável e verdadeiramente inspirador, tomando a vanguarda no movimento pela justiça climática. Mas como envolver ativamente segmentos mais amplos da classe trabalhadora nesta luta pela justiça climática? Por toda a Europa, movimentos como Code Rouge e Extinction Rebellion têm-se unido às greves laborais.
O capitalismo, sistema em que a economia é movida pela perspetiva de lucro de uma minoria, é incapaz dessa transição, pois cada capitalista tem de defender a manutenção e crescimento dos seus lucros, tenham eles origem em investimentos fósseis ou não. Quando as empresas descarbonizam, são os trabalhadores que pagam a fatura!