– Artigo publicado originalmente em inglês pelo Projeto para uma Internacional Marxista Revolucionária a 25 de Julho de 2025 –
No meio dos tiroteios e bombardeamentos implacáveis e indiscriminados que aterrorizam o povo de Gaza, o Estado de Israel gerou a fome, tornando Gaza aquilo que as Nações Unidas chamaram de “o lugar mais faminto da Terra”, onde “a fome bate a todas as portas”. Pelo menos 113 pessoas morreram de fome, número que só aumentará nas próximas semanas se o regime sionista, apoiado pelo imperialismo dos EUA, mantiver o bloqueio total da Faixa.
Um novo ‘holocausto’ é talvez o único termo que caracteriza com precisão o horror que estamos agora a testemunhar em Gaza. Desde o início deste genocídio, a negação de alimentos, combustível e água tem sido usada como arma de guerra contra dois milhões de palestinianos que vivem no maior campo de concentração do mundo. No Reino Unido, até o direitista Daily Express, um jornal notoriamente racista, foi forçado a mostrar uma imagem de uma criança faminta e esquelética na sua capa com a manchete “Por piedade, parem com isto agora”.
“A definhar”
Uma declaração assinada por mais de 100 organizações de ajuda humanitária, incluindo a Oxfam, Médicos Sem Fronteiras e Save the Children, afirmou de forma inequívoca que existe agora fome em massa e que “os nossos colegas e aqueles a quem servimos estão a definhar”. Da mesma forma, a correspondente palestiniana da Al Jazeera, Dima Khalib, descreveu como:
“Estamos literalmente a ver os nossos correspondentes em Gaza a morrer de fome em direto na televisão, a ver os seus corpos a emagrecer cada vez mais, os seus rostos a empalidecer, o seu olhar a tornar-se cada vez mais triste”.
As imagens arrepiantes de pessoas gravemente desnutridas, desde os muito jovens, incluindo bebés, até aos muito idosos, chocaram e enfureceram milhões em todo o mundo. O mesmo aconteceu com as imagens de palestinianos a bater em panelas nos pontos de ajuda, procurando desesperadamente comida e água.
Enquanto isso, as forças israelitas continuam os massacres diários de palestinianos de Gaza famintos que procuram comida da orwelliana “Fundação Humanitária de Gaza” (GHF). A GHF é uma organização controlada por Israel/EUA que, em vez de fornecer ajuda, atrai palestinianos para a morte com a promessa de a fornecer. E enquanto reina o caos da escassez fabricada, o terror do bombardeamento diário de Gaza continua sem cessar – esta semana, as IDF (forças armadas israelitas) iniciaram o seu ataque a Deir-Al Baleh, no centro de Gaza, com os residentes mais uma vez forçados a fugir das suas casas.
Hipocrisia imperialista
Sob enorme pressão popular, vários governos capitalistas foram forçados a exigir o fim da “guerra” em Gaza (ainda se recusam a chamar-lhe genocídio). As suas palavras são baratas e vazias – o fluxo de armamento para o estado de apartheid de Israel continua. Estes líderes mundiais cobardes serão julgados pela sua cumplicidade neste crime histórico contra o povo palestiniano.
Apesar de ter recebido alguns elogios pelas suas palavras e ações mínimas, ou seja, reconhecer o Estado da Palestina, o governo irlandês também é cúmplice no genocídio. O Banco Central da Irlanda continua a vender Obrigações de “guerra” israelitas que enchem os cofres deste estado genocida, e armas destinadas a Israel são autorizadas a transitar pelo espaço aéreo e aeroportos irlandeses. Sob pressão das grandes empresas dos EUA, o governo apenas aceitou aprovar uma versão diluída do Projeto de Lei dos Territórios Ocupados, que excluiu a proibição do comércio de serviços.
Perante a barbárie indescritível de um genocídio, é a ação das pessoas da classe trabalhadora, de baixo para cima, que pode infligir golpes ao regime israelita e aos seus apoiantes imperialistas. Precisamos de continuar o protesto e levar a mensagem de “Não ao negócio como de costume” (“No business as usual”) para os nossos locais de trabalho. Na semana passada, estivadores do Porto de Pireu, na Grécia, com o apoio de ativistas solidários com a Palestina, bloquearam um carregamento de aço de grau militar com destino a Israel. Devemos inspirar-nos em ações como esta, e também na dos jovens israelitas que queimaram as suas ordens de recrutamento e declararam que não servirão no exército israelita.
A ação de base é crucial
Os trabalhadores, com o apoio e facilitação dos sindicatos, devem unir-se para discutir como podem agir, incluindo a recusa em manusear todos os bens e serviços israelitas e os produtos de quaisquer empresas cúmplices no genocídio. Precisamos de:
- Militares dos EUA fora de Shannon e do espaço aéreo irlandês. Fim da venda de obrigações de genocídio ao Estado de Israel. Implementação total e imediata do Projeto de Lei dos Territórios Ocupados. Fim do Acordo de Associação UE-Israel, um acordo comercial preferencial com o estado de apartheid. Proibição da exportação e importação de todos os produtos de dupla utilização que auxiliem o genocídio.
- Proibição total da importação de todos os bens e serviços israelitas. Os sindicatos devem apoiar a 100% os trabalhadores que se recusam a manusear estes produtos.
- O movimento sindical global deve coordenar ações para travar o fluxo de armamento para o regime sionista.
- Fim de todos os ataques aos direitos democráticos por parte de estados capitalistas pró-sionistas, como a proibição da ‘Palestine Action’ no Reino Unido.
- Construir uma alternativa socialista aos partidos e políticos capitalistas cúmplices do genocídio. O anúncio de Jeremy Corbyn e Zarah Sultana sobre a criação de um novo partido de esquerda no Reino Unido é um passo crucial nesta direção.
- Nunca haverá justiça para o povo palestiniano enquanto o estado sionista existir – acabar com o apartheid, a ocupação e implementar o direito de retorno significa derrubar o seu domínio.
- O apartheid israelita faz parte do sistema de capitalismo e imperialismo que se baseia na opressão e exploração. Precisamos de uma alternativa socialista revolucionária, baseada no governo da classe trabalhadora e dos pobres no Médio Oriente e a nível global, onde a riqueza da sociedade seja propriedade pública e controlada democraticamente no interesse de todas as pessoas e do planeta.