A França está em turbulência. A esperada queda de Bayrou, a 8 de setembro, não arrefeceu o ânimo para a mobilização “Vamos bloquear tudo” dois dias depois, já que as questões em jogo são muito mais profundas. Pelo contrário, na noite de segunda-feira, as pessoas reuniram-se em frente às câmaras municipais para celebrar e preparar as ações de quarta-feira, vistas como um ensaio para o dia de greve de 18 de setembro.
Estas mobilizações expressaram não apenas indignação perante os “excessos” parlamentares, mas uma raiva profunda contra um sistema assente em desigualdades estruturais, na pilhagem das elites e no crescente autoritarismo do Estado – tudo à custa dos milhões que lutam para sobreviver. As instituições do regime são vistas como tão apodrecidas e indignas de confiança que os manifestantes têm exigido “Bubarkan DPR” — a dissolução do próprio Parlamento.
O governo interino, apesar das suas promessas, não pode e não vai efetuar as mudanças profundas necessárias para resolver as causas profundas da revolta. É o poder coletivo das massas, organizadas em estruturas democráticas e responsabilizáveis, que deve fazer avançar esta mudança revolucionária. Mas, para garantir verdadeiramente o futuro pelo qual o povo do Bangladesh está a lutar, será necessário dotar esta luta de um programa claro que rompa decisivamente com o capitalismo, o sistema que produz crises múltiplas e crescentes e alimenta rebeliões sociais semelhantes em várias partes do globo.