Logo no dia 26 de Abril de 1974, os moradores dos bairros de lata nas cinturas industriais de Lisboa, Setúbal e Porto começaram a organizar ocupações de casas vazias, um processo que se prolongou e se intensificou. A classe trabalhadora exigia o direito a habitação digna e tomou a iniciativa de resolver o problema pelas próprias mãos. Para organizar a luta pela habitação foram criadas comissões de moradores, os primeiros órgãos de poder proletário, que faziam assembleias regulares para discutir e decidir sobre a vida coletiva.
Apesar do MFA pedir aos civis para ficar em casa, no próprio dia 25 de Abril, ainda a rendição de Marcello não estava completa, as massas encheram as ruas de Lisboa em apoio aos militares revoltosos, trazendo consigo os famosos cravos e transformando o golpe no início duma revolução, um período em que são as massas que fazem a História.
Há 50 anos, a irrupção política dos trabalhadores e da juventude após o golpe militar de 25 de Abril pôs fim ao fascismo e ao colonialismo e originou uma revolução social. Como em 1974 e 1975, o socialismo é hoje uma necessidade objetiva face aos problemas concretos da barbárie capitalista e a Revolução portuguesa contém importantes lições para quem quer transformar a sociedade.
Todos os que querem evitar a aplicação dos planos da Direita e da extrema-direita deverão votar, como em eleições anteriores, na Esquerda parlamentar sem ilusões quanto a poder resolver os problemas da classe trabalhadora através do voto.
Embora seja correto, dada a falta de alternativa, viabilizar um governo do PS para impedir um governo de Direita, e não seja mentira que os anos da Geringonça (2016-2019) trouxeram melhores notícias para a classe trabalhadora que os últimos anos, há que retirar as devidas lições dessa experiência.
Face à ofensiva da extrema-direita e de grupos fascistas, temos de construir campanhas de luta que reúnam trabalhadores e jovens de todas as origens. A autodefesa proletária é essencial para a nossa segurança, confiança e organização! No entanto, a luta contra o fascismo não será resolvida pelo peso numérico do proletariado, mas pela capacidade da sua vanguarda em construir uma organização revolucionária comprovada e com uma influência decisiva entre as massas.
Todos os que lutam, incluindo BE e PCP, devem aprender com os erros da Geringonça, rejeitar a conciliação de classes, procurar unir-se numa única frente e constituir uma verdadeira alternativa política, em torno de um programa que parta dos interesses, reivindicações e lutas da classe trabalhadora e assuma uma ruptura com a lógica capitalista da necessidade de lucro e com as suas instituições. Esse programa deverá ser o exigível para a eventual viabilização de um futuro governo, mas também, e sobretudo, o mínimo por que não se abdicará de lutar no próximo período, com unidade e organização democrática, seja qual for o governo.
Para pressionar o Governo e defender e reforçar o SNS e o seu caráter público, universal e gratuito, devemos construir um movimento massivo que una trabalhadores da saúde à restante classe trabalhadora e aos utentes em geral. As reivindicações em defesa do SNS devem ser reivindicações de todos os profissionais de saúde e as greves devem ser unitárias, construídas por todos os trabalhadores da saúde pela base. A eficácia das greves pode ser aumentada pelo envolvimento e a solidariedade de outros setores da classe trabalhadora. O planeamento e escalamento de greves intersetoriais, em defesa do SNS e dos serviços públicos, poderá ser fundamental para ganhar as batalhas que se travam.
A situação mostra o potencial para unir as lutas atuais através de um plano de greves intersetoriais que defendam os serviços públicos, os salários e casas em boas condições para todos com mais eficácia.
O aumento dos preços traduz-se numa enorme transferência de rendimentos dos salários para os lucros dos proprietários dos supermercados, das empresas de energia e das agências imobiliárias e dos especuladores. O sistema que desvaloriza o trabalho e os serviços públicos é o mesmo que cria horrendas guerras, destruição ambiental, especulação imobiliária e opressões por género, orientação sexual, origem ou cor – o capitalismo.